sexta-feira, 1 de maio de 2009

Atividade do Primeiro ano, parte um: Relacionando as letras de música abaixo com as escolas literárias indicadas.
1 - Relação entre Trovadorismo e a música ‘O Trovador’ Altemar Dutra:
Assim como na Cantiga de Amor, um dos tipos de cantiga do Trovadorismo, a música ‘O Trovador’ tem como eu lírico é um homem que é vassalo, ou seja, servo da mulher que aparece na música. Essa mulher tem uma posição elevadíssima, comparada ao do rapaz. Mas ele não parece corresponder a altura do amor que esse mulher lhe dedica.
2 – Relação entre Trovadorismo e a música ‘Queixa’ Caetano Veloso:
A música busca deixar claro que a 'princesa' é uma serpente, pois envenenou o eu lírico, e este por sua vez escreve uma canção à ela dizendo o quão magoado ficou e mostra que agora ele a detesta 'por ela ajoelhar e não rezar', ou seja, despertar o amor nele, sem a intenção de ama-lo. Tendo assim, muitas características da Cantiga de Maldizer, do Trovadorismo.
3 – Relação entre Trovadorismo e a música ‘Sozinho’ Caetano Veloso:
Essa música fala da ausência de um amor, que por algum motivo, foi embora e o deixa sozinho. O eu lírico desabafa seus sentimentos de amor, narrando e descrevendo sua relação de amor. Essas características estão presentes na Cantiga de Amigo, do Trovadorismo.
4 – Relação entre Trovadorismo e a música ‘Incelença pro amor retiranteElomar:
Assim como na Cantiga de Amigo, um dos tipos de cantiga do Trovadorismo, a música ‘Incelença pro amor retirante’ o eu lírico narra e descreve a ida de seu amor, que foi embora e não mandou notícias, e não apareceu mais.

terça-feira, 21 de abril de 2009

domingo, 19 de abril de 2009

Carta de Repúdio

Eunápolis, BA. 03/04/2009
Cara Luisa,
Em 1994, Airton Senna morreu, tragicamente, em um acidente na pista de Formula 1; o Brasil ganhou a Copa do Mundo nos Estados Unidos; eu nasci. Mais precisamente no dia 10 de Junho, as 18 horas e 45 minutos, mas afinal esse texto não se trata de uma biografia, e sim uma carta de repúdio.
Ao longo de quase 15 anos de vida, eu repudiei muitas coisas, muitos atos, muitas pessoas, muitas atitudes, bem eu reclamei bastante e ainda continuo reclamando. Vejo, por exemplo, o quanto é chato não ter 18 anos e não poder mandar na minha própria vida, porque muitas vezes obedecer meus pais não é legal e eu reclamo. Reclamo quando acordo, de segunda a sábado antes das 6 da manhã. Reclamo por ter 6 aulas por dia, muitos trabalhos, provas, professores. Reclamo bastante por ter que estudar, em vez de curtir a vida, jogar bola, ou ficar 24 horas na internet. Adoro reclamar! E minha mãe já me diz, quatrocentas vezes por dia, que esse é meu esporte predileto: reclamar.
Uma carta de repúdio eu imaginei que seria a coisa mais fácil a se fazer, engano meu. Reclamar, por si só é a coisa mais fácil do mundo, agora reclamar e ter no que se basear não é tão simples. Temos de ter os melhores argumentos e uma opinião bem formada. Acima de tudo, temos que ter certeza de que o que repudiamos, realmente, nós achamos errado.
Nessa carta, eu resolvi então repudiar uma pessoa em especial: eu. Como eu adoro reclamar, mais dia menos dia eu teria de parar de apontar pros outros e teria de olhar pro meu próprio umbigo. Eis que chegou o dia.
De fato, acordo de segunda a sábado, antes das 6, tenho 6 aulas por dia, estudo, faço trabalho, reclamo. Mas eu podia ser menos egoísta. Embora eu me ache muito amiga e calma, eu sou extremamente egoísta! Enquanto eu reclamo por ter que estudar, garantindo assim o meu futuro, muitas meninas de 14 anos têm que trabalhar em laranjais, se prostituir, são abusadas, ou são viciadas, e eu fico aqui reclamando da vida.
Mas como pra mim, nunca é o suficiente, eu sempre arranjo alguma coisinha pra reclamar. Quando tem feijão, arroz e frango cozido, pro almoço, eu quase morro de desgosto... E pensar que tem gente que passa fome. Reclamo por não poder comprar um vestido um pouco mais caro... E pensar que tem gente que nem roupa tem. Fico de cara amarrada toda vez que não é do meu jeito... E pensar que pra algumas pessoas não pode ser de jeito nenhum! Agradecer que é bom, eu mesmo, não agradeço.
Eu reclamo tanto das coisas, que às vezes me esqueço de que não sou perfeita. Afinal, quem é? Errar faz parte da natureza humana, mas eu já deixei de perdoar, mesmo sabendo disso. Pra mim, as pessoas deviam ser menos preconceituosas, menos materialistas, mais humanas. Mas será que eu sou assim?
Não sou o maior monstro do mundo, não discrimino por cor, sexo ou roupa, mas não deixo de fazer piadinhas. Critico tanto, mas não me deixo ser criticada. Sempre tenho razão no final, quer dizer, erro pouco. Mas admito meus erros. Tudo bem que eu reclamo bastante, mesmo tendo muito. Senso crítico é para isso mesmo.
Queria deixar de reclamar, queria agir! Queria ser mais amiga, melhor filha, queria estudar mais, queria gostar de todas as matérias! Queria ajudar mais os outros, queria ter 18. Queria não julgar pela aparência, queria ouvir mais e falar menos, queria ser melhor. Queria mudar o mundo... Queria, não, eu quero!
Em 1994, eu era um bebê, não tinha a mínima idéia do que queria ser e pensando bem, ainda não sei. Quero muito, faço pouco! Me conformo ao ligar a televisão e ver que mais um foi morto, que mais uma guerra começou, que mais fome existe. Não me abalo mais com a Igreja Católica excomungando gente que faz o bem, muito menos me surpreendo com a violência. O povo pede paz, eu peço paz, mas ficamos só no ‘pedir’. Não tiramos a bunda do sofá para lutarmos por nossos direitos, ficamos vendo os corruptos roubarem nosso dinheiro, mas e daí, o que a gente pode fazer?
Aos 14 anos de idade, eu sou desacreditada e conformada. E essa carta, talvez, seja só mais uma me criticando, me abrindo os olhos, e mesmo assim eu continue parada, vendo tudo, e não fazendo nada. Pior que é bem provável que seja só mais uma carta... Já me disse tantas vezes, ‘essa foi a ultima vez, agora eu mudo’, e não mudei. Chorei, sorri, reclamei e me conformei.
Eu poderia repudiar o mundo, poderia reclamar dos homens, das coisas... Mas eu acho que antes de tudo, para repudiarmos o outro, temos que nos observarmos bem, para ver se nós mesmos não cometemos os mesmos erros que repudiamos nos outros. Devíamos agradecer pelo que temos e criticar menos. Mesmo que muitas coisas estejam erradas, repudiar não vai adiantar de nada, se ficarmos parados reclamando.
E sabe do que mais? Amanhã, eu vou acordar antes das seis, em pleno sábado letivo, vou ter 4 aulas, vou na rua tirar Xerox de alguns textos pra estudar, vou passar na pão e vinho e comer uma coxinha, vou chegar em casa e vou almoçar feijão, arroz e frango cozido!
Atenciosamente,
Eu mesma, Luisa.
P.S.: Esse texto é mais uma reclamação ao meu comodismo diante do mundo hoje e uma reclamação as demais pessoas, que antes mesmo de perceberem seus erros, saem criticando os outros.

domingo, 22 de março de 2009

Certas coisas

Certas coisas nos dão uma enorme saudade
Certas coisas nos trazem dúvidas de uma vida inteira
Certas coisas não deviam ser ditas
Mas certas coisas são ditas.


Certas coisas não deviam ser feitas
Certas coisas não deviam ser nem pensadas
Certas coisas nos proporcionam tanta felicidade
Mas certas coisas nos decepcionam.

Certas coisas nos mudam pra sempre
Outras certas coisas não significam nada
Há, certas coisas...

O bom mesmo, são as coisas incertas
Coisas incertas nos trazem diversão
Certas coisas não previsíveis
Coisas incertas não.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Poética - Vinicius de Moraes

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Letra - Nei Duclós

Talvez
escrevendo
alguma coisa amanheça

Talvez
o poema
desperte o pássaro

Talvez
a palavra
te incendeie

Talvez
a sílaba
grite

Talvez
a letra
crua

Talvez
soletrando
amor
noite se despeça

Palavras - Titãs


Palavras não são más
Palavras não são quentes
Palavras são iguais
Sendo diferentes
Palavras não são frias
Palavras não são boas
Os números pra os dias
E os nomes pra as pessoas
Palavras eu preciso
Preciso com urgência
Palavras que se usem
em caso de emergência
Dizer o que se sente
Cumprir uma sentença
Palavras que se diz
Se diz e não se pensa
Palavras não tem cor
Palavras não tem culpa
Palavras de amor
Pra pedir desculpas
Palavras doentias
Páginas rasgadas
Palavras não se curam
Certas ou erradas
Palavras são sombras
As sombras viram jogos
Palavras pra brincar
Brinquedos quebram logo
Palavras pra esquecer
Versos que repito
Palavras pra dizer
De novo o que foi dito
Todas as folhas em branco
Todos os livros fechados
Tudo com todas as letras
Nada de novo debaixo do Sol